Biologia da Paisagem

Subida do pico do garrafão.

Parque Estadual Sete Salões

O Parque Estadual de Sete Salões (PESS) é uma Unidade de Conservação de Proteção Integral localizada na região do médio Rio Doce, abrangendo os municípios de Conselheiro Pena (38,6%), Itueta (2,4%), Resplendor (33,5%) e Santa Rita do Ituêto (25,5%), com perímetro de 119,7 km e uma área de 12.520,90 hectares totalmente inseridos no domínio da Mata Atlântica. 


Criado pelo Decreto Estadual n° 39.908, de 22 de setembro de 1998, tem por objetivo “proteger a fauna e flora regionais, as nascentes dos rios e córregos da região, além de criar condições ao desenvolvimento de pesquisas e estudos científicos e alternativos de uso racional dos recursos naturais, como o ecoturismo”.  


Está presente na unidade geomorfológica da Serra da Mantiqueira Setentrional, marcado pela presença de gargantas estreitas e abismos, além de vales e planícies aluviais, sendo que grande parte da UC apresenta relevo fortemente ondulado a montanhoso. Está inserido nas formações São Tomé e João Pinto, que compreendem xistos, gnaisses e quartzitos de grande relevância geológica, como a presença da caverna de Sete Salões. As altas declividades dentro do PESS contribuem para a existência de aproximadamente 180 nascentes e 26 córregos.  


Apresenta um mosaico de vegetação de campos rupestres, associados a afloramentos rochosos (1,5%), cavernas, matas ciliares, florestas de candeias e florestas estacionais semideciduais montanas e submontanas (onde foi possível a formação de solo), entre algumas áreas antropizadas, principalmente nas baixadas, as quais são ocupadas por pastagens (23%), cultivos agrícolas e residências.   


Na metade sul do parque, bastante florestal, há enorme presença de babaçu (Attalea sp.) no meio da mata fechada, formando extensos bosques, que chegam e ser dominantes em alguns trechos. Outras espécies vegetais presentes são a peroba, a braúna e o jacarandá. 

Há muitas áreas de uso divergente (presença de populações humanas mediante instrumento jurídico para compatibilização da presença das populações com a conservação da área, lhes garantindo segurança jurídica enquanto presentes no interior da unidade de conservação) e edificações no interior e no entorno imediato da UC, como sítios, condomínios e chácaras que, eventualmente, entram em conflito com os interesses do parque. Algumas áreas do parque, inclusive, coincidem com áreas particulares, fruto da baixa regularização fundiária da UC. 

Localidade de Crenaque.

Localidade de Crenaque ao lado do Rio Doce e da Ferrovia da Vale, na borda do Parque Estadual dos Sete Salões.

Principais atrativos

Poção/córrego do onça, externo ao parque porém muito próximo, presente junto da localidade de Crenaque. 

Córrego do onça.

Córrego do onça, próximo de Crenaque e da borda nordeste do Parque Estadual dos Sete Salões. 28/08/2026

Borda nordeste do Parque Estadual dos Sete Salões - Crenaque (MG). 28/08/2026

Borda nordeste do Parque Estadual dos Sete Salões - Crenaque (MG). 28/08/2026

Mirante do Mandengo (808 m), com vista privilegiada para amplas áreas da UC. De lá, é possível avistar algumas formações rochosas do parque, o rio Doce e o pico do garrafão:

Mirante do Mandengo.

Mirante do Mandengo, sentido área central do Parque Estadual dos Sete Salões. 28/08/2026

Mirante do Mandengo.

Mirante do Mandengo, sentido nordeste do Parque Estadual dos Sete Salões. 28/08/2026


O PESS abriga o Conjunto Natural Paisagístico e Arqueológico Serra da Onça, abrangendo o sítio da Lapa, o sítio Pedra Letreiro e o sítio Lapa da Onça, compostos por pinturas rupestres nas paredes internas e externas de abrigos e tombados pelo Decreto nº 1.329 de 2002 da Prefeitura de Conselheiro Pena, além da Caverna de Sete Salões e outras pinturas rupestres, como Boiadeiro, Zé Barbeiro e o sítio Pedra Pintada, que apresenta pinturas rupestres atribuídas aos antepassados dos índios krenak.


A Caverna Sete Salões, que dá nome do parque, de padrão labiríntico formado por rochas quartzíticas, com projeção horizontal de 450 metros e desnível de 15 metros, recebe visitação desde a década de 1920, sendo o atrativo turístico mais conhecido e visitado da UC e considerada um sítio sagrado pelo povo Krenak:

Entrada da caverna de sete salões.

Entrada da caverna de sete salões. 29/08/2026

Final da caverna de sete salões.

Foto tirada do final da caverna de sete salões, com vista para a entrada (sem zoom). 29/08/2026

Pico do Garrafão (ou pico dos sete salões), ponto culminante da área protegida, que compõe a beleza do cenário com seus 1.135 metros de altitude, com vista privilegiada para o Vale do Rio Doce, o Conjunto Natural, Paisagístico e Arqueológico da Serra da Onça:

Subida do pico do garrafão.

Vista da subida do pico do garrafão. 29/08/2026

Ponto culminante do Parque Estadual dos Sete Salões.

Ponto culminante do Parque Estadual dos Sete Salões - MG (pico do garrafão), com 1135 m. 29/08/2026

Na mesma área, há o complexo rochoso denominado Catedral, formado por numerosas pedras e rochas de todos os tamanhos, cavernas, galerias, cânions e diversas formações curiosas para todos os gostos. Elas permitem trilhas secundárias e escaladas de todo tipo, a ser realizada ou não conforme a pessoa. Apresenta vegetação típica de campos rupestres, com muitas orquídeas, cactos e bromélias:

Entrada das catedrais.

Entrada das catedrais - Parque Estadual dos Sete Salões. 30/08/2026

Catedral (Parque Estadual dos Sete Salões)
Forações rochosas da Catedral.

Incríveis formações rochosas das categrais - Parque Estadual dos Sete Salões. 30/08/2026

Mirante

Ao andar pelas rochas das catedrais, pode-se chegar a ambientes específicos, como este mirante - Parque Estadual dos Sete Salões. 30/08/2026

Atualmente, há uma aldeia dos índios Krenak ao lado do parque, localidade denominada Crenaque, que margeia o Rio Doce e que tem uma estação própria da Ferrovia de passageiros da Vale. Localiza-se na zona de Amortecimento da UC, assim como parte da cidade de Resplendor. 


Há diversas trilhas na UC, como a Trilha da Palmeira, que dá acesso à Caverna de Sete Salões e ao Pico do Garrafão, a Travessia do Krenak/Palmeira, Trilha do Alegre, Trilha da Palmeira-Santa Rita, Trilha do Krenak ou Córrego da Onça e a Trilha do Alto Aparecida. Pode-se citar, ainda, a Cachoeira do copão e a Pedra do Navio


A trilha para a caverna de Sete Salões e o Pico do Garrafão apresenta dificuldade alta (para iniciantes) ou moderada (para pessoas acostumadas), sendo necessário praticamente escalar algumas pedras para atingir a base do pico do garrafão. A primeira parte da trilha apresenta vegetação predominantemente florestal, interrompida por um curto trecho de campo rupestre e rochas expostas. O visitante andará em meio à vegetação densa e úmida, com muita serrapilheira. 


A segunda parte da trilha é dominada por savanas e campos rupestres, com extensos afloramentos rochosos e vegetação xerófita, adaptada a condições de escassez hídrica, como orquídeas, bromélias e cactos, com endemismos. Em alguns pontos, o visitante terá que escalar rochas e enfrentar trechos íngremes, de forma que há risco de queda e só deve ser feito por pessoas bem condicionadas fisicamente. As rochas formam pequenas galerias que acumulam água da chuva e podem servir para matar a sede de animais e pessoas nos altos do parque. 


A trilha para as Catedrais apresenta dificuldade baixa para todos os públicos, basicamente feita em estrada, que permite aproximar-se bastante do atrativo com o carro. Nas catedrais propriamente ditas, o visitante poderá contemplar a formação rochosa sem dificuldade, mas a visita somente começa ali e poderá ser aprofundada de acordo com a disposição e a vontade de cada um. São inúmeras pedras e rochas de todos os tamanhos que permitem trilhas secundárias e escaladas de todo tipo, a ser realizada ou não conforme a pessoa. Com isso, o visitante poderá acessar diversos espaços no meio das catedrais, convencionais ou não, como cavernas, galerias, cânions e diversas formações curiosas para todos os gostos. 


As inscrições rupestres são de muito difícil acesso para o público em geral, não por causa do trecho em si, mas pela ausência completa de sinalização e de trilhas, que até podem existir, mas não há nenhum tipo de sinalização de onde começam, o que inviabiliza o acesso, a não ser que o passeio seja orientado por um guia local, que pode cobrar um preço alto por trechos relativamente curtos. 


Infelizmente, em todos os trechos, o parque apresenta péssima sinalização e infraestrutura quase inexistente, com quase nenhuma menção a sua existência. Até há algumas placas informativas e de orientação no trecho para a caverna de sete salões e pico do garrafão, mas parte está apagado pelo tempo. A única placa realmente legível é a da entrada da caverna. As trilhas recebem pouquíssima manutenção e sinalização muito ruim, com apenas algumas setas e placas de educação ambiental isoladas. No trecho para as catedrais, não há absolutamente nada que mencione a existência do Parque Estadual de Sete Salões. No entanto, com um pouco de atenção e o auxílio de um mapa no celular (que funciona em modo offline), chega-se aos atrativos sem dificuldade. 


Não é difícil, também, avistar animais domésticos e gado dentro do parque, inclusive seus vestígios, como fezes. Esses animais andam livremente pelo entorno das catedrais e conflitam grandemente com os objetivos de criação da unidade de conservação, uma vez que provocam compactação do solo e espalham sementes de espécies exóticas. 

O Parque Estadual de Sete Salões protege a biodiversidade de um dos poucos remanescentes de Mata Atlântica do médio rio Doce; contribui para a disponibilidade e qualidade de recursos hídricos dos municípios de abrangência da bacia do rio Doce; conserva importante patrimônio espeleológico, arqueológico e paisagístico, em especial a caverna dos Sete Salões, com grande potencial para pesquisas científicas, educação ambiental e ecoturismo, favorecendo a conexão com a natureza e o desenvolvimento socioeconômico sustentável da região.
Propósito da UC, segundo o Plano de Manejo

Recursos e Valores Fundamentais: Recursos hídricos, Elementos paisagísticos de grande beleza cênica, Caverna de Sete Salões, Mosaico de vegetação com campos rupestres e Floresta Estacional Semidecidual e biodiversidade associada, Patrimônio arqueológico e histórico-cultural, Atrativos, trilhas e roteiros turísticos. 


Atividades conflitantes: pecuária, agricultura, caça, coleta irregular de produtos da flora, presença de espécies exóticas, atividades motorizadas fora de estrada, visitação desordenada, limites da UC, incêndios florestais, falta de regularização fundiária e moradias. 


A fauna é composta por diversas espécies de mamíferos, tais como Cerdocyon thous (cachorro-do-mato), Leopardus guttulus (gato-do-mato), Leopardus pardalis (jaguatirica), Procyon cancrivoros (mão-pelada), Puma concolor (onça-parda), Dasypus novemcintus (tatu-galinha), Sylvilagus brasiliensis (tapeti), Tamandua tetradactyla (tamunduá-mirim) e Dasyprocta leporina (cutia), o que inclui espécies semiaquáticas como Hydrochoerus hydrochaeris (capivara) e Eira barbara (irara).  


Entre os herbívoros, pode-se citar a paca (Cuniculus paca), cutia (Dasyprota azarae) e o gambá (Didelphis aurita), que constituem-se como importantes dispersores de sementes. A onça-parda e a jaguatirica servem como espécies bioindicadoras da qualidade do hábitat, devido a sua sensibilidade a alterações antrópicas, uma vez que estes animais exigem extensas áreas conservadas para manter sua sobrevivência. 


Quanto à avifauna, podemos citar: Crypturellus obsoletus; Crypturellus tataupa; Penelope obscura; Aramides saracura; Pyrrhura frontalis; Xiphorhynchus fuscus; Basileuterus culicivorus; Chiroxiphia caudata; Tolmomyias sulphurescens; Leptopogon amaurocephalus; Mackenziaena leachii; Pyriglena leucoptera; Tachyphonus coronatus; Turdus flavipes; Primolius maracana (maracanã-verdadeiro); Sarcoramphus papa (urubu-rei). As espécies endêmicas registradas são Amazona vinacea, Thalurania glaucopis, Veniliornis maculifrons, Formicivora serrana, Thamnophilus ambiguus, Dendrocincla turdina, Lepidocolaptes squamatus, Chiroxiphia caudata, Todirostrum poliocephalum, Tachyphonus coronatus, Tangara cyanoventris e Tangara ornata, sendo que Amazona vinacea (papagaio-de-peito-roxo), Amazona rhodocorytha (chauá) e Pseudastur polionotus (gavião-pombo-grande) são espécies que se encontram ameaçadas de extinção.  


Destaca-se uma espécie de réptil que se encontra ameaçada de extinção, o cágado-da-serra (Hydromedusa maximiliani). As fendas das rochas proporcionam proteção para anfíbios, répteis e locais de nidificação de aves.

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