Madeiras nobres ou “de lei” são espécies de árvores que produzem lenho de qualidade muito superior às consideradas "madeiras comuns". São mais resistentes e duráveis, já que as células mortas do alburno (parte exterior do tronco) são incorporadas pelo cerne (interior), desenvolvendo uma estrutura forte e robusta que aumenta com o tempo. Costumam ter o crescimento mais lento quando comparadas a madeiras comuns e, por esse motivo, são mais duras, mais pesadas, mais densas e apresentam mecanismos de defesa a ataques de organismos como fungos e insetos, por meio da produção de substâncias químicas no cerne.
Além destes atributos, são resistentes à umidade, mais bonitas e vistosas mesmo sem acabamento e, por consequência, têm maior valor no mercado. São muito utilizadas na construção civil, e naval, em dormentes de ferrovias, na confecção de móveis, de artigos de luxo e de instrumentos musicais.
Geralmente, apresentam cores próprias e marcantes, que vão desde o bege ao amarelo ou do vermelho ao marrom-escuro, variando de acordo com a espécie, e superfície lisa e lustrosa, gerando um material mais bonito e de acabamento refinado. Pode ser inodora, apresentar odor agradável ou desagradável, neste último caso, a aplicação comercial é mais específica e restrita. Apesar do crescimento mais lento que as madeiras comuns, este tem que ser economicamente viável, ou seja, a produção da madeira não deve levar mais do que 25 anos.
Tronco alaranjado a avermelhado de pau-brasil presente na praça da Assembleia, em BH. 03/08/2021
Tronco do pinheiro-do-paraná.
Segue, abaixo, lista com algumas espécies que produzem madeira de lei ou madeira nobre:
O nome “madeira de lei" é consequência do período colonial, em que a retirada dessas árvores dependia de legislação específica da coroa portuguesa. Eram árvores protegidas por uma lei, portanto, “de lei”. Atualmente, o termo ainda se aplica àquelas extraídas das florestas, que são protegidas por diversas leis ambientais com o intuito de evitar o desmatamento de árvores nativas, a extração predatória e o risco de extinção ou declínio populacional acentuado destas árvores.
A possibilidade de extração de forma legal acontece por meio do plantio de florestas comerciais, inclusive com a possibilidade de lucros indiretos pelo mercado de carbono. O uso de espécies exóticas para produção de madeira nobre, de rápido crescimento, com alto valor comercial a fim de atender o mercado nacional e internacional pode contribuir para a preservação das florestas brasileiras, por meio de competição com a exploração predatória das nativas.
Em Minas Gerais, há extensas florestas de eucaliptos em diversos pontos do estado, que alteram significativamente a paisagem, tanto do domínio do Cerrado quanto da Mata Atlântica.