Biologia da Paisagem

Frutos do pequizeiro.

Formigueiros e sua influência na dinâmica da vegetação

As formigas são artrópodes da classe dos insetos, de uma família chamada Formicidae. São consideradas quase onipresentes, já que estão por toda parte e são facilmente observadas todos os dias em nosso cotidiano. Muito trabalhadoras, formam grandes grupos chamados colônias, extremamente organizados, que podem se manifestar por fora do solo como um pequeno monte de terra solta, mas também por meio de uma complexa estrutura subterrânea.  


Um formigueiro é composto por diferentes tipos de indivíduos adultos, cada um constituindo uma casta com função definida:

  • Casta reprodutiva – machos e rainha; 

  • Rainha - fêmea fértil. Tem a função de acasalar e botar ovos. 

  • Machos – pouco ativos, apresentam como função principal copular com as rainhas virgens. Após o vôo de cópula, o macho não é mais aceito no formigueiro. 

  • Operárias - casta mais numerosa, formadas por insetos estéreis. As mais jovens cuidam das rainhas e dos filhotes e, por isso, passam mais tempo no formigueiro. Em seguida, à medida que amadurecem, assumem a função de limpadoras para, por fim, buscarem alimento fora do formigueiro. Também podem ser formigas-soldado, grandes, que protegem o formigueiro contra o ataque de inimigos. 

As formigas vivem em colônia e precisam coletar e armazenar uma grande quantidade de alimento para todas suas companheiras. O tipo de alimento varia com a espécie: pode ser pequenos animais mortos, frutos, sementes, flores, folhas e até restos de alimentos humanos ricos em açúcar, como doces, cereais e massas - e esse é o motivo de serem tão comuns na nossa cozinha, algo que pode ser considerado um desequilíbrio ecológico doméstico. 


As formigas cortadeiras, por exemplo, se alimentam de um fungo que criam no interior do formigueiro, alimentado por folhas que elas carregam para o interior dele. Outras espécies criam e protegem pulgões (insetos que se alimentam da seiva açucarada das plantas), uma vez que estes disponibilizam parte da seiva para elas. Elas fazem seus ninhos em diversos locais, alguns inusitados, como debaixo de um balde, de um tijolo, dentro de aparelhos eletrônicos ou de um cano. Basta que ele permaneça estável por tempo suficiente. 


Apesar de não apresentarem nenhum tipo de vocalização, as formigas desenvolveram um eficiente e avançado método de comunicação, que favorece o excelente trabalho em equipe que vemos em um formigueiro. Uma maneira muito comum de comunicação entre formigas é pela liberação de feromônios (comunicação corporal), substâncias produzidas por glândulas especializadas, que podem ser percebidas por outros indivíduos: 

  • Feromônio de alarme – bastante volátil, avista toda a colônia sobre algum perigo eminente. 

  • Feromônio de recrutamento – colocado no solo, no formato de uma trilha. Conduz as formigas até o local onde foi encontrado algum alimento. Formigas podem usar sementes de leucena para isso, o que constitui uma interação ecológica com uma espécie vegetal exótica e invasora; 

  • Feromônio territorial – uso exclusivo de um determinado formigueiro. Utilizado para delimitar o território de uma colônia, o que evita a invasão ou a entrada de outra espécie de formiga. 

No mundo todo, existem mais de 10 mil espécies de formigas, especialmente na porção tropical do planeta. No Brasil, existem 2 mil espécies e, na área urbana, de 20 a 30. Estabelecem diversas relações ecológicas com os vegetais, como a herbivoria, a participação em processos de polinização em diversas flores e algumas relações bem conhecidas, como ocorrem nas embaúbas. Algumas plantas, como a bucha vegetal, fornecem néctar ricos em açúcares e aminoácidos para as formigas que, em troca, as protegem da herbovoria. 

Flor e folhas da flor-do-guarujá.

Formiga -sobre flor da flor-do-guarujá. 01/09/2021

Frutos do pequizeiro.

Enorme quantidade de formigas sobre frutos em formação do pequizeiro. 25/11/2021

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