Também chamada de floresta semidecídua, a floresta estacional semidecidual é uma formação florestal muito comum dentro do domínio da Mata Atlântica brasileira e, diferente da sua versão mais próxima do litoral (ombrófila densa), caracteriza-se pela perda das folhas de 20% a 50% do conjunto florestal que a compõe (IBGE, 2012). Algumas fontes chegam a aumentar esta porcentagem para 70%, porém este é um valor extremo. Esta deciduidade intermediária na época mais fria e seca é a principal diferença dela para outros tipos de floresta, como as ombrófilas e deciduais.
Além desta característica principal e discriminatória, as florestas estacionais semideciduais apresentam dossel superior a 4 m (no caso de florestas de altitude sobre solos rasos ou litólicos) e 25 m (no caso de solos mais profundos), com árvores emergentes chegando a 40 m e sub-bosque denso. Têm menor abundância de epífitas e samambaiaçus quando comparada às florestas ombrófilas e densidade variável de lianas e bambusoides.
Na prática e em linguagem simples para leigos, são florestas com dossel totalmente definido, mais abertas e secas em relação às ombrófilas e mais fechadas e úmidas do que os cerrados, cerradões e as florestas deciduais. É relativamente difícil percorrer seu interior pela alta complexidade do emaranhado de galhos, cipós e ervas presentes no sub-bosque. Apresentam aspecto muito verde em boa parte do ano, porém adquirem tonalidade um pouco mais amarronzada entre o inverno e o começo da primavera, em virtude de a queda parcial das folhas expor os galhos e parte do solo. Nunca deixam de ser verdes, no entanto, em qualquer período do ano:
Floresta Estacional Semidecidual sob significativa deciduidade (em torno de 40%) durante o final de agosto de 2025.
O interior de uma floresta estacional semidecidual revela o caráter denso da mata. 23/08/2025
São muito comuns no domínio da Mata Atlântica, especialmente mais para o interior do continente, em áreas sob regime de chuvas já sazonal, como o centro-leste e sul de Minas Gerais e boa parte do estado de São Paulo. Nestes locais, podem ser o tipo fitogeográfico predominante, como é o caso da RMBH, onde há grande quantidade deste tipo florestal, inclusive na capital. Em domínios de vegetação sazonal e predominantemente não florestal, como o Cerrado e a Caatinga, é uma formação florestal considerada remanescente de Mata Atlântica e tende a ocorrer de forma mais isolada, na forma de encraves de variado tamanho ou associado a corpos d’água permanentes e intermitentes. Isso, talvez, se aplique também aos Pampas gaúchos. Vista do alto, por meio de fotografias aéreas, se apresenta como uma floresta densa.