Biologia da Paisagem

Pico do piquinho.

Área de Proteção Ambiental de Fernando de Noronha – Rocas – São Pedro e São Paulo

A Área de Proteção Ambiental de Fernando de Noronha - Rocas - São Pedro e São Paulo (APA Noronha) é uma Unidade de Conservação (UC) de uso sustentável presente nos arquipélagos de Fernando de Noronha, São Pedro e São Paulo e Atol das Rocas. Desde 05/06/1986, ano de sua criação, procura conservar cerca de 154.000 hectares de área marinha, dentro do bioma marinho-costeiro (153,5 mil ha) e terrestre (776 ha), o que inclui várias praias de visitação livre dentro de Fernando de Noronha. 

Conjunto de arquipélagos da APA Fernando de Noronha e Rocas-São Pedro e São Paulo.

Conjunto de arquipélagos da APA Fernando de Noronha e Rocas-São Pedro e São Paulo, com as respectivas distâncias para Natal - RN. Junho/2025

Além das áreas oceânicas citadas, compreende toda a área urbana de Fernando de Noronha, além das matas fora do Parque Nacional Marinho (PARNA), como aquelas que envolvem o Morro do Pico, o ponto mais alto de toda a ilha, com até cerca de 200 m de altitude. Com isso, busca conciliar todos os equipamentos da ilha para atendimento aos turistas e moradores com a conservação da natureza. 

APA Fernando de Noronha.

APA Fernando de Noronha, com destque, em primeiro plano, das leucenas invasoras. 30/11/2017

Pico do piquinho.

Pico do piquinho, o mais alto do arquipélago de Fernando de Noronha, dentro da APA Fernando de Noronha. A partir da trilha do Piquinho, há uma vista panorâmica do arquipélago! 16/05/2018

É na APA Noronha que encontramos todos os equipamentos e instalações dos arquipélagos, como o aeroporto, pousadas, restaurantes, repartições públicas (ICMBio), ruas, estradas, pontos de ônibus, lojas, hospital, escola, academias, supermercados, porto, quiosques, delegacia, bancos etc. Como se trata de uma área de proteção ambiental, espera-se que a urbanização no local seja disciplinada, moderada e controlada. 


Assim como o PARNA Noronha, a vegetação predominante é a Floresta Estacional decidual, que perde boa parte de sua folhagem durante os meses secos, que compreendem todo o 2° semestre do ano, dentro do domínio da Mata Atlântica. O clima e o potencial de fauna e flora são semelhantes ao encontrado no PARNA Noronha, obviamente com maior proporção de animais domésticos e espécies exóticas da flora, principalmente aquelas de uso paisagístico - como os Flamboyants, muito comuns na vila dos Remédios, área central da cidade local. Há, inclusive, um Plano de ação para o controle de gatos na área. 

Destaque do arquipélago de Fernanda de Noronha no contexto da APA.

Destaque para o arquipélago de Fernando de Noronha no contexto da APA. Junho/2025

Entre as espécies ameaçadas de extinção - que podem ser extrapoladas também para o parque - estão o bodião-Ilhéu (Bodianus insularis), Anthias salmopunctatus, a tartaruga-verde (Chelonia mydas), a gorgônia (Phyllogorgia dilatata), a Prognathodes obliquus e a donzela-de-São-Pedro-e-São-Paulo (Stegastes sanctipauli).

Proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais.
- Objetivos da UC

Um dos grandes atrativos da área é a instalação do Projeto Tamar, no bairro do Boldró, onde diversas informações sobre a ecologia e conservação das tartarugas marinhas estão disponíveis, além da realização de diversas palestras ambientais. O Museu do tubarão, do outro lado da ilha, apresenta uma proposta muito interessante também, relativo a esses peixes cartilaginosos tão fascinantes:

  • Tubarão-baleia / pintado (Rhincodon typus) - pode atingir 20 m de comprimento e 34 toneladas, habita os oceanos (Pacífico, Índico e Atlântico) e mares tropicais e subtropicais do planeta, inclusive quase toda a costa brasileira e o arquipélago de Fernando de Noronha. Pode ser encontrado em alto mar, bem longe da costa. Seu nome popular deve-se à aparência escura com pintas mais claras ao longo do seu corpo; 
  • Tubarão-bico-fino/lombo preto (Carcharhinus falciformis) - espécie de pouco mais de 3 m de comprimento e até 25 anos de idade. Habita águas, em geral, próximas da costa, porém adentram bastante as águas quentes do golfo do México. Muito frequentes em toda porção tropical das Américas (Oceano Atlântico), inclusive em toda costa brasileira e no arquipélago de Fernando de Noronha. No restante do globo (oceanos Pacífico e Índico), tem ocorrência mais ocasional;

  • Tubarã-cabeça-de-cesto (Cacharhinus perezi);

  • Tubarão cavala (Isurus oxyrinchus);

  • Tubarão-galhudo/cação-bauacú/cação-baía/abudo/estrangeiro (Carcarinus plumbeus) - espécie de porte menor (até 2,4 m de comprimento) e até 30 anos de idade. Habita diversos pontos do globo, nos 3 principais oceanos (Pacífico, Índico e Atlântico), tanto em regões tropicais quanto subtropicais e temperadas de latitude menor, inclusive o mar mediterrâneo, o arquipélago de Fernando de Noronha e outras ilhas No Brasil, ocorre em toda a faixa leste do nosso litoral; 

  • Tubarão-limão/tubarão-papa-areia/lixa (Negaprion brevorostris) - espécfie de pouco mais de 3 m de comprimento e até 27 anos de idade, restrito ao Oceano Atlântico tropical e subtropical e uma pequena porção do oceano Pacífico, na costa da América Central e México. Ocorre em toda a costa brasileira, inclusive em Fernando de Noronha, onde é muito comum nas praias, inclusive sua forma juvenil, que nada junto com os turistas. 

  • Tubarão-lixa/lambarú/urumaru/barroso/gata (Ginglymostoma cirratum) - pode atingir 4,2 m de comprimento e 24 anos de idade e habita áreas costeiras do Oceano Atlântico tropical, tanto no Brasil quanto na África,  além de uma pequena área do Oceano Pacífico, na altura na América Central;

  • Tubarão-martelo/panã/pana-tintureira (Sphyrna mokarran) - espécie de até 6 m de comprimento. Habita águas, em geral, próximas da costa, em todo o globo (oceanos Pacífico, Índico e Atlântico), principalmente em regiões tropicais, subtropicais e temperadas aquecidas, como o mar mediterrâneo. Presente em toda a costa brasileira; 

  • Tubarão-tigre/tintureira/jaguara/alecrim (Galeocerdo cuvier) - pode atingir 6 m de comprimento e até 45 anos de idade. Habita águas, em geral, próximas da costa, em todo o globo (oceanos Pacífico, Índico e Atlântico), principalmente em regiões tropicais e subtropicais. Presente em toda a costa brasileira. 

Constituem uma máquina de cortar, já que seus dentes são produzidos e renovados continuamente: podem gerar até 800 novos dentes por ano. 

Atol das Rocas

Os arquipélagos de Atol das Rocas e São Pedro e São Paulo, diferente de Fernando de Noronha, são quase que exclusivamente marinhos e constituem uma diminuta área oceânica de baixíssima profundidade, com pequenos afloramentos de ilhas, no meio do oceano Atlântico. Nestes locais, há pequenas porções de terra firme, nas quais algum tipo de vegetação terrestre extremamente incipiente é observado.  

 

Especificamente em Atol das Rocas, as elevações são muito pequenas e mal ultrapassam 1 m. É como se o relevo do Oceano Atlântico “beijasse” a atmosfera naquele ponto em especial, que forma uma espécie de “pântano” ou área alagadiça, em meio a alguns bancos de areia e pequenas porções de terra firme. 

Destaque para o arquipélago de Atol das Rocas no contexto da APA.

Destaque para o arquipélago de Atol das Rocas no contexto da APA. Junho/2025

São Pedro e São Paulo

No arquipélago de São Pedro e São Paulo, estão presentes afloramentos maiores em relação ao Atol das Rocas, onde há uma pequena base do governo brasileiro, indicando a soberania do país no local.  

Destaque para o arquipélago de São Pedro e São Paulo no contexto da APA.

Destaque para o arquipélago de São Pedro e São Paulo no contexto da APA. Junho/2025

No entorno e ao longo de ambos os arquipélagos, a ocorrência de águas muito rasas e mais aquecidas permite uma concentração de biodiversidade devido à presença de algas, corais, esponjas e outras formas de vida marinha, bentônicas ou não, que são favorecidas pelo assoalho oceânico iluminado – o que ocorre exclusivamente nestas áreas em raio de muitas dezenas ou centenas de quilômetros, que são como ilhas ou oásis de biodiversidade em meio a um “deserto azul” ao redor. 

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