Origem: Brasil, em quase todos os estados. São muito menos comuns no Sul do Brasil, inclusive podem sequer ocorrer no Rio Grande do Sul. Como esta análise trata de um gênero inteiro e, portanto, de muitas espécies, é natural a elevada distribuição espacial. Espécies consideradas isoladamente tendem a ter distribuição muito mais restrita;
Família: Malpighiaceae, a mesma da acerola;
Ecologia: espécies terrícolas, tropicais, típicas de formações campestres, savânicas e florestais de diversas densidades dentro dos domínios da Amazônia, da Caatinga, do Cerrado e da Mata Atlântica, inclusive em campos rupestres, restingas, matas ciliares e junto de afloramentos rochosos. Podem ser encontradas em área urbana, de forma espontânea, sobre árvores, como é o caso de Belo Horizonte - MG. Na metade do cerrado, área sujeita a ondas de frio durante o outono e inverno, as espécies B. campestris e B. laevifolia são mais comuns, enquanto B. malifolia predomina a norte, mais quente. Na RPPN Colina dos Tucanos (Sabará - MG), é bastante comum em áreas abertas e iluminadas;
Padrão de folhagem da borboleta-do-campo. Junho/2023
Detalhe dos frutos (sâmaras) róseos da borboleta-do-campo, formados durante o outono e inverno em BH. Junho/2023
Borboleta-do-campo com frutos róseos sobre árvore na rua Carlos Eduardo Lott, junto da Central de Tratamento de Resíduos Sólidos - Jardim Filadélfia (BH):
Porte: conjunto de subarbustos, pequenos arbustos ou lianas ou trepadeiras lenhosas, dotados de ramos longos e escandentes, como cipós. A experiência em campo para este artigo mostrou maior prevalência de cipós na RMBH, com ramos lenhosos, longos, escandentes e pendentes, que, quando isolados, formam um conjunto de, aproximadamente, 3 m de diâmetro e 2 m de altura;
Folhagem: folhas verdes, bastante discolores em algumas espécies, simples, inteiras, normalmente opostas, arredondadas, lanceoladas ou ovais, conforme a espécie, de consistência coriácea ou não, pilosas ou não, e margens inteiras, sustentadas por pecíolos muito curtos ou mesmo ausentes;
Floração: inflorescências paniculadas ou cimosas, grandes, amplas e ramificadas, apicais ou axilares, de potencial ornamental significativo e pouco explorado, formadas por flores pentâmeras franjadas, típicas da família, hermafroditas, nas cores branco, em diferentes tons de rosa e amarelo, às vezes mais de uma cor no mesmo ramo. Podem ser abundantes em algumas espécies.
Conforme descrição retirada do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, “as flores nascem aos pares ou alternadamente com até 45 flores em cada ramo ou reduzidas a 2 pares com os internós entre os 2 pares reduzidos para dar o aspecto de uma umbela de 4 flores. [...] A pétala posterior geralmente diferente das 4 pétalas laterais com a unha mais longa e ramo menor”;
Frutificação: sâmaras lisas ou rugosas, verdes a róseas, alaranjadas ou mesmo vermelhas após a maturidade durante o inverno, numerosas ao longo dos ramos, de potencial ornamental também desconhecido para a maioria. O formato da parte intumescida que contém a semente (núcleo seminífero lenhoso), junto das alas, forma uma estrutura semelhante a uma borboleta, o que justifica seu nome popular. Em determinadas épocas do ano, especialmente a mais ensolarada entre o inverno e o começo da primavera, tornam-se abundantes na paisagem, que adquire verdadeiras manchas em tons quentes formadas pela grande quantidade de “borboletas vermelhas”;
Uso paisagístico: o uso paisagístico varia conforme a espécie mas, considerando o comportamento típico de cipó de várias espécies, a sugestão é explorar o efeito pendente de seus ramos, especialmente quando floridos, em barrancos, patamates ou quaisquer estruturas mais elevadas que o solo.